segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

OPINIÃO SOBRE A MP 520



Prof. Climério Avelino de Figueredo

Partindo do entendimento de que é publico aquilo que é acessível a todos, nos termos em que é proposto, e que funciona tendo em vista o interresse coletivo e não os interesses de setores, grupos ou pessoas, os HUs nem de longe podem ser considerados públicos.
Perguntem aos pacientes que chegam de madrugada e são atendidos, rapidamente, às 10h00 ou às 11h00, quando o são, pois é nesta hora que chegam os médicos que, antes, passaram nas suas clínicas e fizeram visitas aos pacientes internados nos hospitais particulares!
Atualmente, os HUs funcionam tendo em vista os interesses particulares dos profissionais de saúde de nível superior (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, etc) e de nível médio, que vêm ao trabalho quando querem e trabalham da forma que querem.
Como regra, os pacientes ficam em último plano. Por exemplo, se o médico falta, os pacientes daquele dia têm sua consulta remarcada para uma longíqua data. Que culpa t em o paciente se o médico faltou?
É por isto que tanto combatem a produtividade, já que, da forma como trabalham (?), têm seu salário religiosamente pagos. Quase todos têm plano de saúde particular. Por que não buscam atendimento nos HUs?
Na prática, em tudo se exige produtividade, de forma implícita ou explicita. Os que são contra a produtividade manteriam um empregado (por exemplo, uma empregada doméstica) que não consiga executar um conjunto de atividades condizente com o salário que recebe?
Os tão propalados direitos são, na verdade, verdadeiros privilégios, como jornada de trabalho reduzida, falta ao trabalho, feriados, pontos facultativos, paralizações (sempre de dois dias:quarta-feira e quinta-feiras (por que estes dois dias?) a perder de vista.
Infelizmente, o movimento sindical enveredou por um caminho tortuoso e defende mais os interesses dos que não trabalham, dos que usam o serviço público para tirar proveito próprio.
Não sou favorável à privatização, o que não é o caso, mas também não sou favorável à utilização do público por grupos e setores organizados que vivem e, se aproveitam, dos parcos recursos que são oriundos de todos e a todos deveriam ser destinado.
Se alguém achar que não é assim, o desafio a ir comigo ao nosso HU e verificar como ele funciona. Então, entenderá porque se tem tanto medo da implantação de medidas que impliquem o rigoroso cumprimento da jornada de trabalho.

Climerio Avelino de Figueredo
Professor do Departamento de Fisiologia e Patologia/CCS.

Um comentário:

  1. George Miranda (mirandageo@hotmail.com)1 de fevereiro de 2011 06:09

    Desafio aceito.
    Vc está falando por um grupo da qual a maioria dos funcionários do HU incluindo enfermeiros, médicos e demais profissionais não fazem parte, seu erro está em generalizar.
    Da forma como esta escrito parece que nada no HU funciona e isto não é NADA perto da verdade, existem profissionais e gestores abnegados e responsáveis com espirito publico e grande senso de ética e responsabilidade profissional, E PROVAVELMENTE ESTE GRUPO É A MAIORIA. Infelizmente provavelmente estas pessoas não fazem parte do seu convívio, por isso acho que você precisa conhecer melhor o HU, repito seu comentario é generalizante e aí está o erro, não em apontar os graves problemas do HU.
    O HU como toda a UFPB passa por problemas de gestão, qual o departamento acadêmico que avalia seus professores que já tenham passado pelo estágio probatório? Se um médico, um professor ou um enfermeiro deixam de cumprir seu horário de trabalho porque estão dando aulas em uma das varias faculdades de medicina e enfermagem na nossa cidade ou estão em outros empregos, cabe a Instituição coibir tal abuso. Se as escalas de plantões de médicos enfermeiros e demais profissionais são como você falou privilégios cabe denunciarmos e cobrarmos, e como você tem informações acredito que deve estar acontecendo em setores, mas não em todo o HU.
    Desmontar o modelo do HU e criar no seu lugar uma agência usando isto como justificativa é covardia admnistrativa é falta de coragem de admnistrar, talvez pelos compromissos corporativos de uma eleição, quem sabe?.
    Quanto ao desafio sugiro que seja mediado pelo autor do BLOG e acompanhado pelas diversas lideranças institucionais e sindicais, cada um indica dois ou mais setores do HU UFPB, crei que no final nos dois teremos razão.
    Um forte abraço.

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